Dezembro 3, 2008

O que observar antes de vender sua alma para o seguro-fiança

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Você finalmente encontrou aquele apartamento de dois quartos perto do metrô, com preço acessível, exatamente do jeito que você queria para alugar. Começa a dar entrada na papelada exigida pela imobiliária: holerites, CPF, RG, carteira de trabalho, exames de sangue, teste psicotécnico, tudo em sete vias carimbadas pelo anão que trabalha em um escritório abafado naquele prédio perto do Copan.

Está tudo certo. Menos o fiador, que você não tem, porque chegou em São Paulo há pouco tempo e seu único conhecido é o atendente fã de Bob Marley da loja de conveniência da esquina.

Então a imobiliária te sugere um servicinho milagroso, estupendo, o fim de todos os seus problemas: o seguro-fiança!

Você aceita, porque, uau, é tudo tão simples! “Pago um ou dois aluguéis e, ta-dah!, não preciso de fiador, nem de depósito-caução, e o corretor disse que o pagamento do aluguel é garantido em caso de eventuais problemas financeiros meus!” (pula e bate os calcanhares no ar).

A imobiliária só esqueceu de te avisar que o seguro-fiança, modalidade de garantia cada vez mais oferecida em São Paulo, é muito vantajoso mesmo – só que mais para o proprietário do que para você, pobre locador.

Veja como o negócio funciona de verdade:

1. Você está completamente à mercê do proprietário. É ele quem decide qual será a cobertura do seguro-fiança (danos à pintura? Outros tipos de danos? Cobertura de taxas de condomínio?), o que vai determinar o valor que você deverá pagar anualmente à seguradora. Varia entre um ou dois aluguéis por ano, como já disse.

2. Você nunca mais verá a cor desse dinheiro. Todo ano terá de desembolsar uma bela grana para renovar o contrato do seguro.

3. E se, por acaso, você não pagar o aluguel, o condomínio ou se recusar a refazer a pintura do apartamento quando entregar as chaves, o seguro provavelmente vai garantir tudo isso para o proprietário, mas colocando seu nome em todos os órgãos de proteção ao crédito possíveis!

Em suma: sua única vantagem na contratação de um seguro-fiança é a de não precisar de um fiador. E só.

Falei com a Renata Reis, técnica do Procon-SP, para tirar algumas dúvidas sobre o seguro. Ela me explicou que essa modalidade de garantia só passou a ser regulada em janeiro de 2008, pela circular 347 (em PDF aqui) da Susep, a Superintendência de Seguros Privados. “A partir de janeiro, todas as seguradoras tiveram que respeitar o padrão estabelecido nessa circular”, disse Renata.

Entre outras coisas, a circular 347 resolveu o problema do tempo de duração dos seguros, que agora deve ser igual ao do contrato de locação: “Antes da circular, tinha esse problema: o contrato de aluguel era de 30 meses e o seguro era de 12, por exemplo. Sempre havia briga na renovação. A resolução da Susep alterou esse panorama. O prazo do contrato do seguro tem que ser o mesmo prazo de locação”, explicou.

Em todos os artigos e matérias jornalísticas que li sobre o seguro-fiança, a modalidade era vendida como uma espécie de salvadora da pátria para locadores desesperados. Pensei que houvesse um boom na contratação desse seguro no mercado imobiliário de São Paulo, mas Renata me falou que as reclamações referentes a esse serviço no Procon ainda são poucas (o que indica que a opção pelo seguro-fiança não é tão comum assim). “Não há muitas reclamações, é até raro. O locador prefere acertar com o proprietário a caução de três meses ou arranjar um fiador. O seguro é a terceira opção. Mas a tendência é que imobiliárias passem a exigir o seguro. Porque o depósito-caução tem um valor fixo que nem sempre pode suprir os gastos com o imóvel. E, para acionar o fiador, é preciso recorrer ao poder judiciário, com toda aquela morosidade”.

Se o seguro-fiança é a única opção que te resta depois de ter tentado negociar alternativas com o proprietário (a gente bem sabe como eles são), observe a dica da Renata antes de assinar o contrato:

“É preciso ter ciência do que é coberto. É de suma importância, antes da adesão, solicitar cópia das condições gerais pra saber o que será contratado. A multa por recisão contratual, por exemplo, não é cláusula padrão, é serviço adicional, e você paga a mais por isso”.

Para tanto, tenha a circular 347 em mãos e compare-a ao seu contrato de seguro antes de assiná-lo. Observe as cláusulas adicionais inseridas pelo proprietário e questione-as sempre. Negociando, você pode abater algumas centenas de reais do valor que pagará pela apólice anualmente. E, já sabe: os técnicos do Procon estão sempre disponíveis para orientar e tirar mais dúvidas.

(por Diego Maia)

Novembro 19, 2008

Classificados – duas ofertas!

Duas pessoas deixaram comentários falando sobre vagas em prédios e procurando flatmates para dividir algum cafofo. Façamos assim: quem tiver ofertas, poste-as nos comentários, mas deixe alguma forma de contato para que interessados possam conseguir mais informações, ok? Vamos republicar todas aqui.

Vejam a primeira:

Do Eduardo Trova (contato)

Olá pessoal, não sei se aqui é o canal ideal para falar isto, mas … Acabei de chegar do interior para trabalhar em SP. Achei um AP na esquina da Faria Lima com a Rua Peruíbe, estou procurando alguem para rachar o aluguel cmg. Me contatem que tenho mais informações.

E a segunda:

De Daia (contato)

aliás, aproveito o espaço para dizer que tenho um amigo que mora na al. santos e vagou um apê no prédio dele. R$900 tudo (aluguel + condominio). 1 quarto. não sei se tem vaga.
bj.

Novembro 19, 2008

A bondade de estranhos

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Acabei de voltar da vistoria (a segunda) do apartamento em que morava na Fernando de Albuquerque, ali do lado do Ibotirama. Estamos devolvendo-o ao proprietário. Um ano por lá foi o suficiente pra ter certeza de que sentirei saudades. Quase 200 metros quadrados, janelões, pé-direito de uns 3 metros, quartos imensos: uma raridade em tempos em que “lofts” são tendência.

(Com licença: vim do interior, gosto de lugares espaçosos, mesmo que antigos. Loft no Morumbi é coisa pra gente que não gosta de ficar em casa. Só posso sentir falta do cafofo da Fernando)

Moro sozinho há pouco mais de uma semana em um pequeno apartamento de um quarto, perto dali. Só o encontrei graças à bondade de estranhos (verdade, Frank Capra e Maurício Ianês, isso existe), via Twitter (idem). Imobiliária nenhuma ajudou. A esta altura, depois de sofrer nas mãos de alguns corretores sacanas e/ou despreparados, torço para que uma bolha acabe com elas. Com TODAS elas.

Procurar casa com um deadline é uma angústia. Em São Paulo, é uma tortura. Minha experiência nessa mudança recente talvez ajude quem esteja passando pelo mesmo perrengue. Vou contá-la aos poucos por aqui.

(Diego Maia)

Novembro 18, 2008

Tá difícil, né?

Cheguei a Sampa ano passado, lá por volta de fevereiro.

Com o início da minha especialização em Jornalismo Cultural na Universidade Metodista de São Paulo, saí do cafofo feio, caro e claustrofóbico a cinco minutos do metrô Ana Rosa. Daí fui morar em São Bernardo do Campo, a novos cinco minutos, mas agora da faculdade. Isso depois de inúmeros problemas com a minha imobiliária.

Finda a especialização, iniciei uma busca por apartamentos em São Paulo, que essa vida de ABC e táxi com 50% a mais por mudança de destino não dá mais pé.

E o sofrimento por um teto novo recomeçou.

(Pedro Jansen)